Convívio Vocacional

Nos dias 15-17 de Dezembro de 2017 decorreu, no Convento de São Francisco, Leiria, um Convívio Vocacional, no qual participaram seis jovens, que têm vindo a ser acompanhados pela Equipa da Pastoral Juvenil da Província, vulgo FraJuVoc.

Sob o tema «Faça-se segundo a Tua Palavra» e em tempo litúrgico de Advento, os jovens foram convidados a reflectir sobre as Mediações do Discernimento, sendo assim introduzidos num dos aspectos fundamentais do discernimento vocacional: a acção mediada de Deus na história humana. Reconhecer as mediações de Deus na caminhada pessoal é indispensável para reconhecer a própria acção de Deus na vida e, consequentemente, para lhe corresponder conforme o Seu desígnio vocacional.

Se no Natal celebramos o mistério do Emanuel, do Deus connosco, que assume a nossa humana condição, para se fazer sujeito da História, interceptando-a indelevelmente, no discernimento vocacional parte-se da certeza de que Deus não só participa activamente na nossa história pessoal, como também faz história connosco, de forma Incarnada, isto é, vindo ao nosso encontro através de Jesus, o único Mediador entre Deus e os homens (cf. 1Tm 2,5).

A virgem Maria, especialíssima medianeira de Deus (cf. CIC 969), foi a modelo privilegiada, a contemplar e com quem aprender, na sua humildade perante a presença do Divino, no seu diálogo íntimo e sincero com o Anjo, na sua maturidade capaz de reconhecer as suas humanas contingências e, por fim, na sua total entrega ao desígnio d’Aquele a quem nada é impossível (cf. Lc 1,26-38). De que forma Deus actua na minha vida? Que lugar tem a Palavra na minha vida? Como dialogo com Deus? Eis algumas questões que acompanharam estes jovens.

Tal como Maria e depois do seu «Sim», inúmeros homens e mulheres, ao longo da História da Igreja, foram igualmente interpelados por Deus para assumirem uma missão aparentemente impossível aos homens. De entre eles, o nosso Pai São Francisco que, no longo processo de conversão, não deixou de se deparar com dúvidas, procurando os meios disponíveis para corresponder mais radicalmente ao Cristo que o chamara e enviara. Uma passagem particular serviu de mote para a reflexão: a escuta do envio missionário aos discípulos e consequente renúncia a todas as coisas (cf. 1C 22).

Afinal, para Francisco, não bastava o sentido geral das Escrituras, mas era necessário ir ao seu sentido pleno, para uma resposta adequada. Assim, a consagração da sua vontade – consignada na máxima «Isto mesmo eu quero, isto peço, isto anseio poder realizar com todo o coração» – era resultado de um longo percurso, pautado pela Oração e pelos Sacramentos (Eucaristia), pela Escuta e pelo Acompanhamento. Que mediações poderiam os jovens reconhecer nas suas vidas? Que importância assumiam a celebração dos Sacramentos e a vivência eclesial?

Tal como há dois mil anos e tal como há oito séculos, também hoje o Senhor, ao interpelar, coloca os meios necessários para O escutar e corresponder. Confiemos-Lhe o percurso destes jovens, para que, acima de tudo, encontrem o seu caminho de felicidade, que para nós cristãos é a santidade, segundo a vocação que o Senhor lhes concede.

 

FraJuVoc