Retiro de Quaresma da JuFra OFS – Montalvo

Nos passados dias 3 e 4 de março, a JUFRA de Portugal teve o seu Retiro Nacional no Convento das Irmãs Clarissas de Montalvo. Desde já deixamos o nosso agradecimento pela forma calorosa como nos receberam, em contraste com o frio e chuva intensa que se faziam sentir fora das instalações. Em momento de agradecimento, queremos também fazê-lo aos queridos irmãos da Ordem Franciscana Secular de Tomar, pelos deliciosos bolos que deixaram no Convento para nós.

Queremos louvar o Senhor pelos jovens que conseguiram ouvir o seu chamamento e responder Sim a esta “Santa inquietação”. Que o Senhor chame cada vez mais jovens a esta radicalidade de O seguir!

De louvar também a presença e participação do Irmão Nuno Vale OFS, não só neste retiro, a acompanhar jovens de Leça da Palmeira, como na sua fraternidade e na região norte, onde tem realizado um bom trabalho na divulgação do movimento juvenil e do carisma franciscano.

A manhã começou com um breve acolhimento, pois estavam presentes jovens de Barcelos, Penafiel, Leça da Palmeira, Ovar e Varatojo, e era necessário criar-se um clima de proximidade.

Iniciámos com um momento de oração em conjunto, no qual cada jovem teve a oportunidade de referir as expectativas para o retiro e de refletir sobre os talentos que possui. Agradecemos a presença da irmã Ana Catarina Santos OFS, animadora da JUFRA Nacional que esteve presente neste momento.

Este momento, assim como o da vigília e de formação com a Irmã Maria do Lado, foi passado numa “tenda” de madeira, um local bastante acolhedor, que tornava o ambiente mais terno e agradável.

O Frei Luís Leitão (OFMcap) instigou os jovens sobre o Sínodo dos Jovens, explicando o que significava, em que consistia e quais os objetivos. Deixou os jovens com questões inquietantes. Com bons artigos de revista sobre “Discernimento vocacional”, os jovens tiveram oportunidade de refletir sobre as questões e partilhar algumas das suas opiniões, numa sessão de discussão em grupo. Aprendemos que o “Discernimento” tem três fases:

– Reconhecer – os efeitos dos acontecimentos, pessoas, palavras, leituras, o que produzem na minha interioridade;

– Interpretar – compreender a origem e o significado dos desejos e das emoções sentidas e ser capaz de avaliar se nos orientam numa direção construtiva ou, se pelo contrário, nos levam a fechar-nos em nós mesmos.

– Escolher – uma vez reconhecido e interpretado o mundo dos desejos e das paixões, o ato de decidir torna-se exercício de autêntica liberdade humana e de responsabilidade pessoal. A escolha subtrai-se à força cega dos instintos, aos quais um certo relativismo contemporâneo acaba por atribuir o papel de critério último, aprisionando a pessoa na volubilidade.

Uma ideia interessante que ficou nesta discussão foi o voluntariado no m2: os nossos irmãos mais próximos, possivelmente, precisam mais da nossa ajuda do que aqueles que estão tão distantes.

A Perspetiva Franciscana foi o tema apresentado pelo Frei Sérgio Góis (OFM). A este respeito, afirmou que o encontro pessoal com Cristo é o ponto de partida para o discernimento, tal como acontecera na história de São Francisco. Depois, destacou alguns elementos fundamentais do discernimento que daqui decorrem, tais como: a santidade, como fim principal do discernimento, possível tanto a consagrados (OFM e OSC) como a seculares (OFS), o que constitui uma felicíssima intuição de São Francisco; a distinção entre o bem real e o bem aparente, como objecto concreto do discernimento; o desejo, como motor do discernimento; a relação entre o conhecer e fazer, como estilo franciscano de discernimento; e, por fim, a história pessoal, a Palavra, os Sacramentos e a Igreja como lugares de discernimento. A partir da sua exposição, deixou algumas questões para reflexão, a saber: De que forma cada um de nós procura viver a relação com Cristo? Como é que vivemos a nossa fé? Porque razão vou à missa? Porque é que ando na JUFRA? Porque fomos ao Retiro? Como é que, na nossa vida, podemos ser nós, tal com S. Francisco de Assis, a beijar um leproso, a deixar de ter repugnância por alguma coisa e servir Cristo, na medida em que Deus é a plenitude de todo o Bem?

Posteriormente, tivemos a oportunidade de rezar vésperas com as Irmãs Clarissas, uma experiência inédita para muitos dos jovens.

No momento do jantar, tivemos uns momentos em silêncio, enquanto os jovens liam a Primeira Redação da Carta aos Fiéis, em voz alta.

À noite tivemos a vigília de oração, em que fizemos uma “Via Sacra” meditando sobre as crianças que tanto sofrem na Síria e o terrorismo que avassala o mundo. Os jovens tiveram também a oportunidade de se confessarem, pois estava presente o Frei Bruno Peixoto (OFM), disponível para esse serviço. Queremos Louvar ao Senhor pela presença dos queridos frades que se fizeram presentes, Frei Luís Leitão, Frei Sérgio Góis e Frei Bruno Peixoto, por serem presenças tão inspiradoras para os jovens e por animarem musicalmente alguns momentos deste Retiro.

A manhã de 4 de março começou com oração e logo de seguida foi abordado o tema da vocação com a Irmã Maria do Lado, uma abordagem bastante interessante. A irmã referiu que o primeiro irmão que devemos amar somos nós mesmos. O segundo irmão é a nossa família e o terceiro irmão é a nossa comunidade, a Ordem Franciscana Secular, a JUFRA…

Os jovens da JUFRA fizeram-se presentes na Eucaristia da comunidade paroquial de Montalvo. O pároco rezou pela JUFRA, agradeceu a presença dos jovens e convidou-os a um regresso próximo.

Depois do almoço bastante animado, preparado pelas Irmãs Clarissas, os jovens foram convidados a fazer um balanço sobre o Retiro Nacional.

O regresso a casa foi sem dúvida com o coração mais preenchido e mais alegre em S. Francisco de Assis e em Cristo Nosso Salvador.

Relembramos que a próxima atividade da JUFRA- OFS de Portugal é o Encontro Nacional, em Barcelos, nos dias 9 e 10 de junho do presente ano.

Rute Paixão

Presidente JuFra OFS